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Vivencie o aprendizado


28 de janeiro de 2019

Tentar entender o funcionamento da mente humana, com toda sua complexidade e possibilidades, é algo desafiador e que a ciência ainda está longe de desvendar por completo. Mas conhecer alguns atalhos usados por nosso cérebro nos dá uma “vantagem competitiva” se soubermos colocar em prática algumas técnicas simples, porém eficazes.

Falando em linhas gerais, o cérebro assimila e guarda informação de duas maneiras: por repetição e pela emoção. Explicando de uma forma simples e resumida, funciona mais ou menos assim:

Repetição: quando se aprende ou faz algo pela primeira vez, o cérebro cria uma nova conexão neural referente esta informação ou atividade. Ao repetir a atividade, ele usa a mesma conexão criada anteriormente, como uma forma de “economizar energia”. Seu cérebro está o tempo todo fazendo isso: buscando referências em experiências passadas e tentando relacionar os acontecimentos presentes com situações já registradas na memória; caso contrário, ele entraria em colapso se tivesse que processar novamente cada atividade e cada estímulo externo recebido. Fato é que, cada vez que uma mesma conexão neural é usada, ela fica mais forte e mais fácil de ser lembrada e utilizada. É por isso que decoramos facilmente senhas, telefones e outras informações que usamos com frequência, em um processo que tende a se tornar automático de tanto que o repetimos.

Emoção: se eu lhe perguntar o que você almoçou uma semana atrás é possível que você não se lembre; no entanto, se eu quiser saber onde você estava e o que estava fazendo quando ocorreram os atentados ao World Trade Center em 2001 é bem provável que você saiba me dizer. Isso acontece porque, apesar de ter sido um evento que não se repetiu, ele foi gravado em nossa mente com um forte impacto emocional. Isso, por si só, já deixa a conexão neural extremamente forte, sem a necessidade da repetição do evento. Outro exemplo de fácil entendimento é quando toca uma música muito antiga que faz tempo que você não a ouve, mas basta escutar a introdução que você é capaz de cantar todo o restante. Sabe porquê? Porque a música é processada em nosso cérebro pelo lado responsável pelas emoções, e não pela razão. É por isso que muitos professores inventam músicas para que os alunos decorem fórmulas mais facilmente. É uma tática antiga e manjada, mas que dá resultado.

E o que acontece quando se reúne os dois aspectos (repetição e emoção) ao mesmo tempo? Neste caso, temos uma combinação explosiva e extremamente poderosa capaz de fixar a informação de forma mais eficiente. Quando isso ocorre, dizemos que a pessoa está “vivenciando o aprendizado”. Peguemos como exemplo alguém que vai morar um tempo no exterior para aprender um novo idioma. O aprendizado de uma nova língua é algo relativamente complexo, mas a pessoa morando em outro país está em contato muito maior com o idioma (repetição) do que alguém que estuda no Brasil. Se aqui um estudante fica cerca de 8 horas semanais (entre aulas, exercícios e atividades) em contato com a língua estrangeira, morando fora do país ele ficará em contato com outra língua cerca de 8 horas por dia, e isso já seria o suficiente para acelerar o aprendizado.
No entanto, além da questão de estar mais exposto ao novo idioma, a pessoa que mora no exterior tem o aspecto da emoção a seu favor na hora de aprender. É muito diferente, por exemplo, estudar no livro o diálogo entre duas pessoas em um restaurante e você participar deste diálogo ao vivo, estando inserido na história. Participando ativamente, a pessoa utiliza ao mesmo tempo os canais visual, auditivo e cinestésico e toda a informação que o cérebro recebe sobre a nova língua é registrada junto com um impacto emocional. E acredite, isso faz toda a diferença!

Portanto, se você quer aprender algo de forma mais rápida e definitiva, repita, repita muito, e coloque um pouco de emoção em seu aprendizado. Viva experiências ao invés de apenas receber informações passivamente e deixe que o seu cérebro se encarregue do restante.

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Alexandre Gaboardi
Alexandre Gaboardi é empresário, Coach profissional e mentor de Coaches, membro da Sociedade Brasileira de Coaching e diretor de Produtividade da ABRAP Coaching – Associação Brasileira dos Profissionais de Coaching. Graduado em Engenharia, pós-graduado em Coaching e Liderança e com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, é CEO e fundador da Treinna – Coaching Consultoria
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